Descobri que Deus é Amor!

Um sacerdote italiano trabalhou no Oriente, em tempos de guerra. No hospital que costumava visitar, havia um grande número de feridos e ele procurava dar-lhes apoio humano e espiritual. Certo dia, quando dava o sacramento da Unção dos Enfermos a alguns doentes, encontrou-se com uma senhora, totalmente engessada.

"O que lhe aconteceu?", quis ele saber.
"Padre", disse-lhe ela, "Domingo passado, de manhã, fui à missa com meu marido e minha filha de dez anos. Depois, na hora do almoço, recebemos a visita de minha mãe, de minha irmã e de minha sogra. De repente, nossa casa foi atingida por um míssil, que destruiu tudo, matando a todos; só eu permaneci viva e aqui estou, do jeito que o senhor está me vendo..."

Ao dizer isso, a mulher chorava, e o sacerdote, embora acostumado aos piores dramas, não resistiu e começou a chorar também. Quando ela o viu assim, disse-lhe surpresa:
"Mas o senhor é padre... Veio aqui para encorajar-me e está chorando?"
A resposta foi imediata:
"Diante de uma tragédia como a sua até as pedras chorariam..."
A mulher continuou:
"Padre, tendo perdido tudo, e vivendo esses dias aqui no hospital,
descobri que Deus é amor!".

Ao ouvir um testemunho assim inesperado e extraordinário, o sacerdote lhe falou:
"Veja, minha senhora: antes de chegar aqui, passei por outros doentes do hospital, e encontrei-me com inúmeros jovens feridos. Muitos deles estavam revoltadíssimos, contra Deus e o mundo, tanto que nem aceitaram falar comigo. Faço-lhes pois um pedido: reze por eles!"
No dia seguinte, ao encontrar-se com os jovens, o sacerdote percebeu que uma notável mudança havia acontecido, já que muitos que antes o haviam rejeitado, agora chamavam-no para conversar ou se confessar. Ao visitar, depois a mulher, perguntou-lhe, sorrindo:
"O que que a senhora andou fazendo?..."

E ela com muita simplicidade, respondeu-lhe:
"Padre, a noite toda esse gesso queimava meu corpo, mas a cada
momento eu repetia: Por esses jovens, Senhor!..."

Ao fazer esse oferecimento, ela demonstrou entender que Jesus Cristo, em sua Via Sacra, assumiu todos os sofrimentos da humanidade para fazer nascer a vida. Mas entendeu também, que estava sendo convidada a participar desse caminho de dor para, com Ele, alcançar a vida para os que viviam fechados em seus próprios mundos. Descobriu, enfim, que sofrer e morrer não é deixar de viver, mas é deixar de amar, e que vale a pena dar a própria vida para que os outros possam fazer idêntica descoberta. "Não é o sofrimento que salva, mas o amor" (Cf Os. 6, 6), pois só o amor pode fazer nascer a vida.